O BRASIL DO SÉCULO XIX: A IMPORTÂNCIA DA MONARQUIA NA INDEPENDÊNCIA BRASILEIRA
Por Gabriel Alves
*Publicado no Facebook em 26 de Outubro de 2018
Pouca gente sabe, mas o Brasil tinha uma importância política e econômica incomensuráveis para Portugal, e isto se confirmaria em 1808, com a vinda de toda a corte Lusitana e da Família Real dos Bragança para a então colônia. Existem historiadores que relatam a existência de planos de transferência da capital do império português para as terras da santa cruz já desde a sua descoberta em 1500. Planos de transferência do centro político lusitano já eram antigos no imaginário real português, tanto que quando Dom João VI decidira vir para cá, já detinha todo o planejamento político e econômico prontos para serem aplicados no Brasil. E isso foi fundamental para o país.
O fato é que a vinda da família real para o Brasil foi de suma importância para a construção do nosso estado. Quando vieram ao país, trouxeram toda a sua tradição, conhecimento militar, político, econômico, e etc, o que ajudou a instaurar rapidamente as bases do futuro novo Império Brasileiro. A presença de uma casa real tradicional permitiu que nosso país começasse a fomentar o surgimento de uma classe de políticos dotados de um alto grau de conhecimento e moralidade, imbuídos de um grande espírito de nobreza, que nos rendeu anos de estabilidade política e crescimento econômico. Sem contar com os corruptos, que viveram tolhidos da alta esfera legislativa devido ao olhar atento do monarca.
O Brasil então teve a imensa sorte de ter proclamado a sua independência de Portugal com toda a sua estrutura política e econômica já quase consolidadas. Tivemos ainda a figura de Dom Pedro I ajudando a dar reconhecimento e estabilidade ao país, numa época em que as províncias (estados) ainda não tinham um contato muito intenso umas com as outras e ainda não possuíam um senso de união entre elas. O novo Imperador ajudou a unir a todos os povos existentes no país, criou um senso de familiaridade nacional e abafou as revoltas dos partidários de Portugal. Junto também com uma assembléia nacional constituinte, ELEITA pelo POVO, ajudou a criar a constituição mais longeva que o nosso país nunca mais teria igual: A constituição de 1824.
Em seguida, com a chegada de Dom Pedro II ao poder, não foi diferente. O país, mesmo vivenciando um período de guerras travadas no continente, pôde desenvolver sua tradição militar e alçou de vez a sua hegemonia no continente. Diversos conflitos travados na América do Sul foram vencidos de forma impressionante pelo Brasil, muito devido a autoridade que o nosso país imputava sobre as outras nações.
Um detalhe curioso, inclusive, que demonstra a profunda sabedoria de um monarca, aconteceu na guerra do Paraguai, por exemplo. Quando o ditador Rosas foi vencido pelo Brasil e os aliados (Uruguai e Argentina), os países vencedores (Brasil, Argentina e Uruguai) ao contrário do que muitos esperavam, lançaram mão de reclamar os 'espólios da guerra', e o Brasil, dotado de muito poder na época, declarou ser contra a anexação do Paraguai ao país, e de suas terras mais ricas. O Imperador, imbuído de muita sabedoria, simplesmente repudiou qualquer atitude arbitrária naquela época, pois sabia que não faria bem aos povos latino-americanos ter seus territórios conquistados e divididos. Visando a manutenção da paz, o Brasil e os aliados ajudaram os Paraguaios, então derrotados, a se reconstruírem política e economicamente.
Também tivemos muito progresso econômico no país. No livro a 'A Vida de Dom Pedro II' (Benjamim Mossé, séc XIX) ele relata que o Brazil (nomenclatura do período imperial) teve, desde a coroação de Dom Pedro II até o fim da monarquia em 1889, um crescimento vertiginoso do PIB de 8% ao ano, com uma inflação de apenas 1%. Também o mesmo autor relata que o país tinha uma posição geo-estratégica importantíssima no continente sul-americano, sendo a porta de entrada do mundo europeu para os demais países latino-americanos. Uma curiosidade interessante também relatada é que a nossa moeda da época (réis) era usada como lastro para o comércio entre os países europeus e os demais países sul-americanos. Nossa moeda era do mesmo valor da Libra Esterlina Inglesa, que hoje é tão mais cara em relação ao nosso Real.
Ao contrário do Brasil, diversos países do continente americano não tiveram esta mesma sorte.
Países como os EUA, por exemplo, tiveram dificuldades de aplicar um sistema político que fosse viável e estável ao país. Quem vê hoje os americanos tranquilos e satisfeitos não sabem quantas lutas internas eles tiveram que travar para aperfeiçoar o seu sistema político. Oligarquias corruptas dominavam o cenário político da época, e faltavam contra-pesos para a limitação de poderes 'tirânicos' que buscavam o controle do país (o que no Brasil já não era mais problema, pois tinhamos o Poder Moderador para evitar estes males). O poder de estado dos EUA era tão centralizado nessa época que causou sérias consequências para o país com rupturas constantes da união entre os estados-membros. Até hoje não houve guerra mais sanguinária nas américas do que a Guerra Civil Americana, dado que aconteceu ainda no século 19 e não foi superado por nenhuma outra no continente.
Porém, ao contrário de países como as ex-colônias espanholas, por exemplo, que dependeram de forma quase que 'empírica' para a construção de suas formas de estado, o Brasil já contava com toda a experiência e sabedoria acumulada das casas reais portuguesas, personificadas na então Dinastia dos Bourbon e dos Bragança. E além de Dom Pedro I e II, tivemos figuras importantes que também atuaram de forma importantíssima para a política nacional, como a D. Leopoldina, José Bonifácio e outros tantos atores importantes que ajudaram a forjar a nossa soberania nacional. Existem muito mais palavras que poderiam descrever a grande importância que teve a forma monárquica de governo para a formação do nosso país, mas ai eu teria o risco de me estender muito neste artigo. Enfim, só Deus sabe o belo país em que viveríamos se não tivéssemos sofrido o golpe republicano em 1889.
Livros e Links para leitura complementar:
'Navegantes, Bandeirantes e Diplomatas' (Synesio Sapaio Goés Filho)
'História de Dom Pedro II' (Benjamim Mossé)
Trilogia '1808', '1822', '1889' (Laurentino Gomes)
'Teoria Geral do Estado' (Darcy Azambuja)
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Coruja Política



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